28 de maio de 2003

OPUS PISTORUM
Estou a ler pela primeira vez este livro do Henry Miller (ed. de bolso, D.Quixote). Como noutras das suas obras, desmistifica aqui a ideia que erotismo e vulgaridade de escrita rimam. Nem por sombras. A ler, antes de pensar em escrevinhar seja o que for nas portas de WC.
No meu caso estou a lê-lo antes de dormir. Mas desaconselho essa prática.
SÃO QUASE SETE HORAS
Vou arrumar as coisas e meter-me ao eléctrico. Tenho à minha espera uma turma de gente interessada em aprender. E isso já é mais do que se encontra na maioria dos sítios.
AI, O MENINO
Socorro, o Nelson de Matos chamou-me mal-educado! E insinua mesmo que "haveria coisas para contar" a meu respeito. Pá... só me resta dizer que confio na Justiça do meu país e que estou pronto a colaborar com os mentideros no que for preciso para manter esta polémica estéril.
Não se zangue, Nelson, vai ter em mim um defensor tenaz dos autores que, actualmente, publicam na editora que gere :-) Os que me lêem estão sempre a tropeçar em referências (por vezes vivas, daquelas que lhe fazem confusão) sobre a necessidade de se dar mais atenção a autoras como a Teolinda Gersão, só para dar um exemplo. E a Lídia também sabe que já lhe manifestei várias vezes o meu apreço pela sua obra, sobretudo pelos últimos livros. E tantos outros. Tantos. Agora vai-me é permitir que só elogie os livros que me tocam ou nos quais reconheço méritos. Os outros não são da minha responsabilidade. Serão da sua.
E quanto à "má-criação", e sem lhe querer dar lições históricas (o seu passado fala por si), passe a mão na memória e lembre-se do que se dizia no antigo regime sempre que um estudante ou um autor se manifestava de forma menos "Concordata"...
Pois, é que a democracia tem destas coisas. E em 1974 houve um acontecimento que metia cravos, está recordado? Foi também pelo direito à discussão que se fez.
HABINIBI HABINIBÉ
Só ontem tive oportunidade de ver (em gentil gravação de um amigo que sabe o que me custa perder as coisas importantes), o Festival Eurovisão da Canção. Não percebi nada do que a Rita Ferro disse, mas estava bem despida pela companheira Lopes. Essa pineca! A Helena Ramos também esteve como de costume (estou a contar os dias para as Marchas Populares só para a ouvir comentar... Ou não estivesse a rtp de regresso aos anos 80... Já agora, se não fosse pedir muito, chamem lá o Luis Pereira de Sousa)
Mas o mérito vai todo para a Margarida Mercês de Melo (quantos éles?) e para os seus comentários. Não sabia que a Rita Stock tinha uma irmã... Em suma, a Sua Televisão NÃO está a mudar.


"A Espanha costuma sempre votar em nós... Bidubidu..."
O PAÍS MAIS LÁ
Sobre outro post, a propósito do nosso país real estar também culturalmente mais "atrasado" foi Jorge Candeias que se manifestou. Sobre a parte em que eu escrevi: "basta ver a luta que em todas as terras um punhado de pessoas cultas e inteligentes trava para promover actividades ligadas ao cinema, à literatura, à música, perante a indiferença da maioria pregada à TVI."

Ó Possidónio, será que há mesmo alguma diferença qualitativa? Não será que é apenas um caso de os punhados serem maiores nos sítios onde há mais gente? "
Caro Jorge,
não sou suficientemente maluco para entrar numa disputa entre a cidade e o campo. Primeiro, porque o Eça e o seu Jacinto já disseram tudo a esse propósito. Segundo, porque o meu coração está mais lá do que cá. E Terceiro... porque o campo está em extinção, comido pelo cimento das cidades.
Mas, respondendo directamente à sua questão, a minha ideia é ser Sim e Não. Sim, é um punhado maior. Não, porque a partir de um determinado número, geram-se sinergias que criam novas ideias, formas de construção originais e que empurram o conhecimento. Diluem o lado atávico que, quer queiramos ou não, ainda está profundamente enraizado para lá de Aveiras. Com as referidas excepções, claro.
LITERANDO...
A propósito do post em que (por uma vez) dou razão a JPC, recebi da leitora (temos de arranjar outro termo) Teresa Santos, Brasil (?), um simpático e discordante mail que reproduzo parcialmente (por puras questões de economia narrativa):

"Permita-me que discorde desta visão de J. Pereira Coutinho e, por arrasto, da posição que você também defende. Sempre me impressionaram os pontos de vista médios sobre quem produz o que quer que seja. Sendo mais directa, irei recorrer a Roland Barthes em conversa com Maurice Nadeau. Diz Barthes o seguinte (o sublinhado é de minha escolha): «Há sempre uma intimidação perante a modernidade, que não se pode evitar. A inovação é intimidante, porque se tem medo de que nos escape o que nela há de importante. Mas aí, também, devia ser-se objectivo, e pensar que a modernidade mais actual contém os seus próprios desperdícios; a modernidade fornece a trouxe-mouxe o desperdício, a experiência, talvez uma obra futura. Há que tomar partido e defender a modernidade nos seu conjunto, assumindo a parte de desperdícios que ela inevitavelmente contém, e que nós, agora, não podemos avaliar com exactidão(...) J. Pereira Coutinho (penso que responde no blog Infame por JPC) declara não ter entendido nada de um livro de Llansol num post anterior a esse que você cita. Sendo ele (penso que o mesmo) um crítico literário quando afirma não entender nada do que lê em Llansol ele está (e volto a citar Barthes) a «erigir a cegueira e o mutismo próprios em regra universal de percepção, é repelir para fora deste mundo» a escrita de Llansol como quem diz: «Eu, cuja profissão é ser inteligente, não entendo nem um pouco disso; ora vós próprios nada compreendeis também; portanto sois tão inteligentes como eu» ou: «Eu não compreendo, portanto vocês são idiotas». "


Cara Teresa,
se reler o meu post e a citação que faço do texto (provocatório, como sempre) do colunista Infame, verá que não encontra nele nenhuma referência a M.Gabriela Llansol, cujo trabalho respeito como tenho que respeitar. Não me resta outra alternativa, como bem indica no seu mail, via citações. Partilhamos a mesma contemporaneidade e só o tempo separará o "desperdício" do resto.
Pedia-lhe que não levasse o Infame à letra e, consequentemente, este seu criado. Há uma dose de provocação no seu post que eu acho proveitosa, nestes tempos de sorumbática seriedade. No meu caso, e sem querer estar de novo a levantar a polémica que fez correr algum sangue nas veias ancilosadas da cultura portuguesa, subscrevo apenas que nem tudo o que não brilha é ouro. Isto é, se olharmos atentamente para alguns textos mais recentes, incensados por algumas pessoas, veremos que espremido não dá nada, ou muito pouco. Não se trata de rejeitar por ser "difícil", permita-me que não enfie o ignaro barrete (Aqui é o prazer voluntariamente "inculto")... Como a Teresa saberá, depois de lermos os primeiros 50 livros "intelectualmente indispensáveis", porém fraudulentos, alguns de nós começamos a separar o trigo do joio. Outros não.
Concluindo e para não alargar a polémica: isto não é um post anti Llansol. Tanta gente menos interessante a escrever, a realizar e a governar neste país, por que é que haveria de me estar a manifestar contra alguém que faz, insistentemente, um trabalho honesto e apreciado por tanta gente? Isso já é mais coisa do JPC ;-)
Um abraço.

27 de maio de 2003

COMENTANDO OS BLOGUES
Entrando pela Voz, cheguei ao Blog do Miguel Vale de Almeida, nomeadamente ao post sobre a retirada de apoio da câmara ao Festival Gay e Lésbico de Lisboa. Concordo com o que ele diz sobre esta visão neo-liberal de gel na cabeça que está a dominar a cidade. Tem toda a razão. Quanto ao festival (e sabendo de antemão que se me vai inundar a caixa de correio de hate-mail...) gostaria de dizer que me pareceu muito bem.Não sei quem o organiza, mas tive oportunidade de ver a programação que era de um dislate total. O Trinitá, com filmes gay requentados e novidades de gosto duvidoso, tudo misturado. E quanto aos cartazes... Se a intenção era "aproximar a população da comunidade gay", falhou totalmente, ou o que é que acham que as pessoas sentem ao verem imagens de qualidade miserável; pinturas de um mau gosto atroz (e menor talento) em que dois gajos se lambem. Escrevo "lambem", porque foi a ideia que me transmitiram. Amigos: faça-se um festival como deve de ser, programado por gente que perceba de programação e comunicado por gente que perceba de comunicação. Ou então, projectem-se filmes dos anos 70 numa qualquer casa de banho pública da capital. O espírito não seria muito diferente do que nos foi transmitido até agora.
POLO ASNÁTICO OU "HÎNNN HÃÂÃÑNN VIP
O "Caras Notícias" foi ocobrir (...haa..) os cavalos e os cavaleiros do primeiro torneio de Polo em Portugal dos últimos 10 anos. Não só foi maravilhoso ver pessoas (de quem nunca se tinha ouvido falar, mas que os enviados da sic conheciam tu cá, tu lá...) a não acertar uma sobre o que estavam a ver. Aparentemente, ninguém percebia um boi.., perdão, um cavalo, do assunto. Mas lá que estavam a achar graça aos lusos e aos espanhóis à marretada à bola, isso estavam. Aquilo foi coisa para ter metido patrocínio do Ministério da Cultura...
LITERATURA
Nunca pensei escrever isto, mas estou totalmente de acordo com o J.Pereira Coutinho (passo assim, para o Clube dos 7 portugueses que algum dia fizeram esta afirmação ;-) ). Sobre a forma como os repórteres literários escancaram as pernas a tudo o que não percebem, escreve ele o seguinte:
"Mas, neste país, a «profundidade», que usualmente passa pela «ilegibilidade», é marca evidente da alta literatura. Sê «profundo» e serás bom. Não ocorre aos nossos críticos que é fácil descer às «profundidades». Mas verdadeiramente difícil é conseguir emergir do fundo e regressar à tona razoavelmente intacto. Com a pérola nos dedos".
Palavras para quê?
REALITY COUNTRY
Pergunto-me muitas vezes por que perco tempo a ver televisão, sobretudo os programas da manhã. Na verdade é pela mesma razão que ando de autocarro e passeio pelos mercados: interessa-me o país real. Ao contrário da intelectualidade Luxiana que domina a imprensa portuguesa e os orgãos de decisão nacionais, eu não acho que Portugal seja Lisboa. Aliás, defendo: Portugal NÃO É Lisboa. É muito diferente. É um país mais ingénuo e mais primitivo; mais básico mas que guarda coisas e valores que desapareceram da grande cidade. Um país mais atrasado, também (basta ver a luta que em todas as terras um punhado de pessoas cultas e inteligentes trava para promover actividades ligadas ao cinema, à literatura, à música, perante a indiferença da maioria pregada à TVI). Alguém disse que Portugal começava em Aveiras. Eu acrescento que o Portugal de 2003 se pode avistar nas manhãs da televisão.

26 de maio de 2003

LANÇAMENTOS
A Cavalo de Ferro lança um novo livro.:TROLD - Histórias do Mar do Norte, de Jonas Lie .
A sessão terá lugar na Livraria Bertrand, Centro Picoas Plaza em Lisboa no Sábado, 31 de Maio, pelas 17.30h. Jonas Lie, escritor norueguês do Século XIX, é pela primeira vez traduzido directamente da sua língua para português.

Miguel Sousa Tavares também lança um romance, o seu primeiro: Equador. Pela Oficina do Livro.
A apresentação decorrerá na 5ªfeira, 29 às 19 h., na Torre de Belém.

RELOADING
Fui ver o "Matrix Reloaded". Cansou-me como tudo o que não acrescenta nada. Mas o que é que eu esperava de uma sequela? O som (efeitos sonoros) continua excelente, os efeitos visuais também. Mas a história não acrescenta nada. E é de facto... muito palavroso para tão pouco sumo.
Só para apreciadores da série.
DEEPER AND DEEPER
Os jornais babaram-se discretamente durante todo o dia, a notícia de abertura e pièce de resistance dos telejornais foi a mesma... Herman isto, Herman aquilo... Felizes de foçar na lama, os dentes já fincados na carne de mais um. Nunca a "necessidade de informar" foi um sinónimo tão próximo de "ganhar dinheiro a todo o custo". Portugal no seu pior.
COMPANHEIROS
Apesar de ter o sistema de comentários em repouso, as vossas opiniões e discordâncias (sinal de diversidade que nos dá esperança de não estarmos todos mortos e concordantes) são muito bem recebidas. Via e-mail. Peço apenas que sempre que não quiserem que eu as afixe aqui e responda "comunitariamente", me façam chegar essa indicação. Um abraço.
BREAKING NEWS
Desiludam-se noivas de Portugal, o vestido que o Sic10 Horas estava a oferecer já foi entregue. A feliz contemplada com os bocados de tule amarrados às coxas (a permitir uma visão periférica, no mínimo, até ao céu da boca) foi a Paula Alexandre (não, não, não é a do "Verde Vinho"). Aos 25 anos conseguiu produzir este naco de prosa: "O casamento é como uma árvore. Nunca atingirá grandes dimensões se não perdermos tempo a desenvolver-lhe a raíz". Admitamos que foi totalmente merecido o prémio. Uma rapariga que associa a necessidade de se esforçar sexualmente a valores como a perservação do património florestal merece bem ir carregada com aquilo para casa.
O Donaldim continua lá, sempre maroto e sentado. Ele e o velhadas amestrado que vive com ele (o que lhe enfia a mão por detrás). Agora apresentam o passatempo das Patacas.
Como este blog é visitado por muitos brasileiros, uma mensagem de admiração por terem mandado para cá a "Juracy" (a criada brasileira do "Não Há..."). Isso comprova que vocês sabem melhor do que nós o que se aproveita da vida e o que é para deitar fora. Livrem-se, contudo, de extraditar a Vossa Fátima.
OPERAÇÃO TRIUNFAR
Coitadinhos dos meninos da Catarina, estavam nervosos, contentes mas inquisitivos quanto à maneira de chegar ao triunfo em Portugal. E contudo é tão simples, rapaziada: basta sorrir e calar; não dizer nunca o que se pensa e não ser demasiado diferente. Quem tiver estômago para isto (o equivalente a 5 assoalhadas cheias de sapos) está assegurado. Orwell não viveu connosco, nestes tempos, ou escreveria num sopro "O Triunfo dos Cobardes".

25 de maio de 2003

O SILÊNCIO DOS INOCENTES... DE ESPÍRITO
Refere o PL, na Coluna que "Compreendemos o silêncio do Governo mas não o da Ministra da Justiça. As violações do segredo de justiça andam num alegre carrossel e não se ouve um comentário ou uma acção da responsável máxima pela justiça portuguesa".
Caro Pedro, pode ser um problema de garganta, faltando esta à ministra, colocada perante um assunto concreto, ficou afónica...
Mas, se queres a minha opinião, há males que vêm por bem. De qualquer modo, esta seria uma voz que teria dificuldade em chegar ao céu...
RAP
o Ricardo G.F de Araújo Pereira comete 3 pecados que rapidamente lhe sairão caros.:
1. Tem graça. Montes. Num país em que todos acham que a têm, ele (provavelmente não merecendo) está cheio dela.
2. É culto e sabe do que fala. Ora, assim não se vai a lado nenhum. Este é o país em que todos os intelectuais liam o Proust aos 10 anos. Os outros, provavelmente eram tão estúpidos que passavam o tempo a brincar, a ver desenhos animados... ou a chatear os proustianos.
3. Faz humor com a D. Quixote. Aqui..., meu caro, abre os olhos, que os espanhóis não são para graças. E se queres ganhar algum prémio literário ou seres incluído na colecção de autores portugueses da Visão, imparcialmente escolhida, é melhor começares já a dar o dito por não dito.

Se teimares nesse caminho de perdição, conta comigo para te levar uns bolos de arroz ao Inferno guardado (a 7 chaves) por gente exclusivamente interessada na cultura. ;-)

ps: ... pensando bem, com este post eu próprio estou condenado à desgraça, lol!
CAMPING
Há gente que acha a ideia de se deitar entre as paredes de tecido uma abominação. Têm razão, desprezo-me a mim próprio por isso. E acho inominável que acorde contente (malgré as costas partidas)

Os parques de campismos são sítios simpáticos: não fora as pessoas e seriam melhores.



Tive sorte: calhei ao lado de um casal jovem e fogoso, sinal que há vida na Terra. Na terra e claramente no chão da tenda, já que ela passou a noite aos gritos . Para além de sabermos que o orgasmo múltiplo não é uma ficção, ficaram todos os campistas num raio de 500 metros alertados para as virtudes (e detalhes) de vários tipos de sexo.

Outro grande mistério é a razão por que a maioria das pessoas (homens) não gosta de puxar o autoclismo. A minha teoria é que este furor na partilha de urinas deriva de um instinto antigo e tribal. O mesmo que leva os cães a cheirarem o rabo uns aos outros.

No "El Mirador", a barraca apalaçada que domina o reino da Galé, avistei o rei e a rainha. Ele, sentado numa cadeira de plástico, observava a nespeira nascida no meio da areia, 3 Verões atrás, enquanto remexia o bigode à la Quim Barreiros. Ela, passava creme Nívea nos braços, com cuidado para não sujar a pulseira de massa plástica.
Vi uma miúda a andar de bicicleta por perto. Suponho que seria a Infanta.

Tenho a mania de admirar o som dos pássaros de manhã. Hoje aprecio-lhes a inteligência: fim-de-semana de Maio, piraram-se todos! Foram cantar para o sossego.



23 de maio de 2003

A SUL
Vrum, Vrum, este, uma menina feliz, um C3 e uma tenda vão escorregar até ao mar. Viva as falésias. Vivam as ondas.
Viva estar. :-) Bom fds
GRULHAS
Esses malditos pássaros do desvario ortográfico não se cansam de pousar nos posts!!! CHHHÓÓ!!!

22 de maio de 2003

MAIS TRABALHO MENOS CONVERSA

A propósito do meu post sobre uma atitude profissionalismo e competência no cinema, recebi do leitor do blog Jorge Candeias, ro seguinte contributo:

"A resposta à pergunta "Para quando uma geração que faça as coisas com talento e profissionalismo?" é, julgo, a mesma de outra pergunta: "Para quando uma geração que em vez de se queixar, faça?"

Isto não é uma crítica à pergunta em si mesma, que considero inteiramente legítima e acertada. De facto, falta muito talento e profissionalismo nesta terra, e a todos os níveis, especialmente aos mais elevados. É, antes, um sintoma do meu cansaço por um povo que em vez de fazer se queixa do que não faz e ainda mais do que ainda vai fazendo, apesar de tudo.

Cada vez tenho menos paciência para este velho choradinho nacional. "

Caro Jorge, não podemos estar mais de acordo no que diz respeito a este assunto. Num encontro em que participei na Arrábida, o ano passado, chegaram os participantes à conclusão que tinha havido uma mudança de atitude geracional. Que, pela primeira vez, as pessoas estavam mais descontraídas a fazer coisas, sem o complexo de que em Portugal "não há meios". Alguns de nós, que discordam da lamúria nacional no campo da cultura, por exemplo, estamos a formar argumentistas, a escrever peças de teatro, a fazer filmes em suportes inovadores (e mais baratos)a desenvolver sites que são vistos (e premiados) internacionalmente. Com poucos meios, sim. Mas com a tranquilidade de quem sabe que é melhor fazer do que lamuriar.
Um abraço.
FEDORENTOS
Um obrigado aos Gatos por nos irem mantendo a moral.
Também já aqui tinha feito referência ao livro de Alexandra Solnado. Compreendo o Tiago quando se sente ultrapassado por esta ligação directa ao divino. Mas, pode ser um problema capilar. Experimenta a encher-te de cachaça e a meter os dedos numa ficha eléctrica: se ficares com uma cabeleira igual à da vidente, talvez Cristo mude de atitude contigo. Pelo menos foi este o processo que ela usou.
...Não sei, isto sou eu a tentar ajudar, Zé Merdas (lol).
E PARA TERMINAR A BLUE DANCE
A Praça da Alegria vestiu-se com as cores do glorioso (azul). Sónia Araújo tentou até mesmo falar e por pouco que não conseguia. Podia até jurar que lhe percebi a voz a repetir a última frase do Jorge Gabriel (esse homem que tem uma fé progenitoro-educativa no Colégio Militar)...
Falta-me o nome da senhora que foi lá cantar um hino ao FCP, mas não posso deixar de assinalar com alegria que o programa está cheio de dançarinos espontâneos. A saber, um gordo abichanado com a cara pintada com as cores dragonianas, um velho caquético com óculos e pullover sem mangas, de tricot, um caniche (vestido a rigor) e a sua dona amestrada etc, etc. Não falando na palhaça picolé, esse monstro de talento que deixou o direito para abraçar as artes televisivas e circenses.
Com um país assim, não sei o que estamos à espera para telefonar à Fátima Felgueiras a perguntar se não nos arranja um quartinho na Tijuca.
AINDA O V DE VITÓRIA
Estou tão chocado como os nossos conterrâneos do Porto com a não-presença de Rui Rio em Sevilha. Então o homem não sabe que para ser autarca não tem de se resolver os problemas de saneamento básico, mas sim estar presente ao lado do Pinto da Costa? Que só assim é que se ganham eleições (vejam lá se o D.Barroso e o J. Sampaio não estavam lá a suar)? Já só falta não ser corrupto e não ir em esquemas manhosos com empreiteiros!
Está visto que não só este homem não tem estofo para autarca como o Porto não merecia um presidente assim.
SAUDAÇÕES
Hoje, uma rapariga que mal conheço despediu-se ao telefone com um "beijo do coração", que depois corrigiu para "um beijinho". Fiquei mais descansado, é que não me conseguia lembrar de nenhuma descrição clássica sobre o canto das sereias. Não é que não nos saiba bem, mas porra: já viram a que profundidade vão parar os destroços? ;-)

21 de maio de 2003

ALEGRIA A NORTE
Neste momento de grande alegria futebolística até me apetece gritar que o Fernando Rocha, o homem que (segundo a tv guia) andou a semear durante 3 anos o seu estilo (o que não deixa de ser misterioso, já que era um electricista que contava anedotas porcas..., antes de nos vir caralhar os ouvidos) devia ser eleito Rei de Portugal.
A única condição é que nunca passasse de Gaia para baixo e só actuasse na NTB.
PORTUGAL 2
Na tv, em letras garrafais, a condenação antecipada de Paulo Pedroso. Quando uma pessoa competente e afável se vê envolvida num processo que o reduz a um estado inferior a verme, algo está mal. Não sei dizer o quê, mas algo está mal. E não vejam os cretinos nesta afirmação uma qualquer aprovação de eventuais actos. Porque ela não mora aqui. Não confudam o lixo dos próprios olhos com a (ingénua?) tentativa de perceber a humanidade.
Sinto-me desgostoso, isso é que é.
PORTUGAL
Hoje ouvi uma actriz admirável dizer o que eu já sabia, que os realizadores portugueses preferem um palminho de cara a uma boa actriz. Deve ser pela mesma razão que preferem ser eles a escrever os argumentos quase sempre de merda. O resultado é o que se vê: filmes de treta, elogiados pelos amigalhaços da imprensa, ou destruídos pelas razões opostas.
Para quando uma geração que faça as coisas com talento e profissionalismo?
APROVEITAR O FUTEBOL 2
Depois de pensar muito... decidi-me por ver o futebol. Um ataque de originalidade, o que é que querem...?!
APROVEITAR O FUTEBOL
Ainda estou a decidir o que vou fazer à hora do jogo, quando todo o país estiver a ver e a ouvir o que se passa em Sevilha.
Uma das hipóteses seria correr pelo meio da faixa central do tabuleiro da ponte 25 de Abril. Ver o estuário sem a chatice dos carros.
Viva o fervor nacional :-)
MEC
O Miguel Esteves Cardoso, voltou ao seu blog. Já estou registado (embora me tenha esquecido da palavra-passe, logo de seguida, distracção que me valerá mais 15 minutos a preencher os formulários...).
Para os mais novos convém lembrar que o Miguel (discorde-se de algumas ideias, como é o meu caso, ou não) continua a ser uma das pessoas que melhor domina a língua portuguesa neste país. E ainda por cima com graça. O que é mais raro. Não é por acaso que as suas crónicas de antologia continuam a ser reeditadas, numa editora pouco habituada a pedir esse trabalho à gráfica. Sou só mais um a recomendar uma ida ao consultório
CASA PIA
Feito o essencial que era impedir a continuação dos abusos no interior da instituição, detectadas algumas das causas e das pessoas envolvidas, chegámos a um ponto em que tudo cheira a lodo. Qualquer movimento que a justiça faça, daqui para a frente, pode ser considerado necessário/indispensável num estado de direito... Mas, por qualquer razão, não pode deixar de parecer "excessivo", como remexer na ferida purulenta que alguns homens trazem consigo.
DUPLA PERSONALIDADE
E por falar na ministra (de quem devo dizer concordo com muita coisa, no seu estilo "gestão doméstica") tive ontem uma terrível suspeita. Olhei bem para o rosto e pensei: "Mas ela é o Cavaco Silva com uma peruca". E tudo ficou mais claro. Incapaz de se conter, o antigo primeiro-ministro, enfiou uma peruca, vestiu umas roupas sem gosto e veio para o governo de Durão Barroso. Posso estar enganado, mas olhem que esta teoria tem tanta base de sustentação como a do Matrix.
... A única dúvida que subsiste é em como conseguiu ela ser ministra da educação e primeiro ministro ao mesmo tempo? Mas a investigação não ficará por aqui...
BOA MALHA URBANA
"A ministra de Estado e das Finanças, Manuela Ferreira Leite, admite introduzir selectividade na atribuição dos passes sociais dos transportes públicos em função dos rendimentos dos seus titulares" in toda a parte.

Parece-me bem. Afinal, basta andar de autocarro para vermos como os ministros vão todos os dias para o trabalho de autocarro. Ou os admnistradores do BCP, ou as estrelas de milhares de contos das televisões. Não sei noutras cidades, mas aqui em Lisboa, na zona "fina" da Lapa, as tias até fazem fila, todas com passezito na mão.
Quem quiser que traga o carro para a cidade, ora essa! Quando chegarmos a um grau de sustentação impossível a nível ambiental, vamos todos poluir para outro lado.

E eu que pensava que a expressão "Transporte Público" se referia a um bem acessível e que facilitasse as deslocações aos cidadãos pagadores de impostos. Ou que talvez fosse interessante ver a nossa dama de lata fingir que tinha "compais" e enfrentar os sindicatos pregando com 2/3 da malandragem que não faz um corno da Carris, Cp etc etc, na rua. Digo eu... que não tenho que ganhar eleições.

19 de maio de 2003

OS MEUS LIVROS
O Nuno Costa Santos não sabe, mas está farto de andar de autocarro. No 74 já há velhinhas que o começam a cumprimentar. A ele e ao seu rebento "10 REGRESSOS". Numa altura em que tanta gente escreve pretensiosamente (ainda hoje vi mais um, acabado de sair - suspiro! ) é muito agradável ler este livro. Ainda não acabei (por causa dos balanços da Carris, mas lá chegaremos), mas estou a gostar bastante desta sua primeira obra. Muito bem, Nuno.

Para o Ivan, deixo a notícia que um novo livro do Mário Zambujal será lançado nos próximos dias: "Fora de Mão". Um conjunto de histórias divertidas, escritas à antiga, com aquele cuidado de linguagem e humor descontraído que se perdeu. Para os que se lembram da "Crónica dos Bons Malandros" (e esqueceram o filme do mesmo nome, do Fernando Lopes!).
SAUDAÇÕES
Para o Modus Vivendi de quem li, percebi e apreciei a graciosa citação de T. S. Eliot: "Let's not be nasty, narrow and negative". Que partilho, inteiramente.
E para a chegada de duas pontuações que me parecem igualmente saudáveis: O Ponto e Vírgula. (Não sei se é da minha vista ou do sistema, mas a vossa página chega até cá com CARACTERES GIGANTES... pá: ainda não temos 50 anos ou tanta falta de vista assim ;) )
Welcome.
O LUSO-SEXO
Distraído, como de costume, só hoje descobri que o Clix tem uma lojita on-line para alegrar as parties privadas. Tudo sob a égide do nosso Camões que escreveu essa bomba de prazer que é a Ilha dos Amores. Aqui podemos encontrar produtos tão intelectualmente estimulantes como o "Excite Macho Man Stimul" ou o "Lady bug" (um bichinho encarnado, porém translúcido, que se mexe com curiosidade). O meu favorito, contudo, é o filme "O Cego Curioso", certamente uma variação sobre o livro de Saramago.


A IMPOSSIBILIDADE DO PRETO-E-BRANCO

Custa-me a admitir mas, pela primeira vez neste blog, tenho de afirmar que a Fátima Lopes se portou muito bem na entrevista ao Santana Lopes, esta manhã, na SIC. Interpelou-o com segurança, sem ir demasiado em cantigas e sem perder de vista o seu auditório. Ele também se safou tão bem que, por breves momentos, acreditei nele. Na verdade, acho que ELE acredita nele...
A melhor parte foi quando a Fátima, com algum cinismo, lhe disse: "espero então encontrá-lo nos transportes públicos". O olhar dele esfriou por um micro-segundo, depois desviou-o e disse-lhe: "E eu também a espero encontrar a si..."

Levado pelo entusiasmo da imprensa especializada, lá fui ver o L.I.E, esse filme dedicado à autoestrada de Long Island. Saí de lá um pouco confuso: então agora que já todos tínhamos acordado que a rapaziada não pensava em ter sexo antes de poder votar, vem este gajo (ainda por cima com uma excelente realização) dizer-nos que o mundo continua igual ao que nós imaginávamos?
Lá vai ficar o Telmo Correia e a turmalhada da defesa da família sem saber o que dizer para manter o tachito.

E por falar em família, parece que o B.E. vai avançar com a proposta da possibilidade de adopção por casais homossexuais. Vai chumbar, claro. Reprovado pela oposição do cds-pp ("antes crescer na miséria que abastado e homossexual", dirá Paulo Portas), pelo psd ("não conhecemos nenhum futebolista, empresário ou apresentador do Sexto Sentido que siga essa orientação sexual. Logo, uma criança adoptada por alguém nessas condições nunca poderia ter sucesso e muito dinheiro"). O ps também não deve alinhar ("...Bem... 90% dos nossos militantes estaria de acordo... Mas teríamos que pensar muito bem... Ponderar... Constituir comissões paritárias... hmmm... Tenho impressão que não. Olhe: passe por cá mais logo..."). O pcp deverá abster-se, em virtude de não conseguir encontrar a cassete sobre o assunto.
Eu também estou inclinado a pensar que melhor mesmo é deixarmos os milhares e milhares de crianças sem pais. Debaixo da protecção da Casa Pia, por exemplo. Ao menos, sempre os levam à Feira Popular!

18 de maio de 2003

A MINHA É MAIOR QUE A TUA
Ia escrever que "estas polémicas à volta do blog do Pacheco Pereira parecem-me absurdas. Ele tem, tal como todos os que assim entenderem, o direito de expressar as suas ideias com correcção e vigor". Ia escrever, mas agora tenho dúvidas, ao ler no Abrupto o que me parece ser um equívoco dos tempos que correm: "Acresce que se o novo meio se pretende influente e competitivo, mesmo na sua especificidade , é para fora que tem que falar , sendo natural que passe a ser citado na imprensa e as opiniões aqui dadas a terem o curso normal das opiniões - as que tem pernas para andar , andam ". Caro blogo-colega, eu não sei pelos outros, mas, por mim, não pretendo ser "competitivo", nem "citado na imprensa" . Limito-me a expressar as minhas opiniões livremente e algumas pessoas fazem o favor de as ler e comentar. Vai ser sempre assim. O que me interessa é discutir "artesanalmente", sem outro objectivo que não seja a troca de ideias. Com pessoas que pensam como eu e com outras que discordam de mim, radicalmente. É esse princípio de democracia que me interessa explorar. Acho, contudo, que tem razão quando insinua que em breve este tipo de expressão tenderá para outra coisa mais competitiva e movida por outros interesses. Mas, nesse dia, meu caro José, alguns desertarão "daqui". Eu, por exemplo.
DOMINGO É PATÉTICO
Está a dar na rtp (com minúsculas) o domingo é domingo (idem). Queira Deus que não caia o tecto do estúdio. Pode sempre perder-se algum técnico com mérito.
OUVI DIZER (NO SNOB) QUE...
O nosso jornalismo anda cada vez melhor. A prova foi o (originalíssimo, atendendo aos 6000 artigos sobre o mesmo tema publicados na última semana) artigo do Expresso sobre os blogues portugueses. Parece que a pobreza intelectual que grassava terminou finalmente com a chegada do ortograficamente original Pacheco Pereira. Agora, os ignorantes que já diziam o que pensavam podem descansar a cabecinha. Basta-nos seguir as ideias do deputado do PSD.
Se tudo correr bem, em breve, a tristeza da imprensa escrita estará instalada na blogoesfera.
Keep up the good work, amigo Paulo.
POESIA CONTRA A BARBÁRIE
Ouvi num congresso em que estive presente que Natália Correia, de alguma forma, se terá deixado morrer. Por não querer viver os tempos que aí vinham. Adivinhava uma época de pobreza espiritual, moral e cultural que não lhe apetecia viver. Ainda fez algumas tentativas de combater este estado de coisas como quando se deu ao trabalho de dedicar a Marcelo R. de Sousa, então candidato à cãmara de Lisboa, vários poemas. Não os tenho aqui comigo, mas podem encontrá-los na sua Poesia (in)Completa. Vale a pena ver o que uma mulher de talento e coragem foi capaz de fazer. Uma mulher como não temos nenhuma, agora. Nem uma voz se levanta satírica e certeira contra este portugalzinho em boxers. Da Zara, ainda por cima.
Bom, cada povo tem aquilo que merece.

17 de maio de 2003

CAUSA JUSTA
Sempre foram misteriosas para mim as razões que levavam pessoas inteligentes a sujeitar-se ao consumo nocivo de calhamaços de códigos do direito de trabalho ou de direito penal. E a receberem como bónus a arbitrariedade arrogante de professores que, ou vinham das patuscadas com Salazares e Caetanos, ou eram filhos ou netos dos referidos (nem todos, claro, mas muitos). Isso tudo para poderem concluir um curso de Direito que os levaria a ser horrivelmente pagos em defesas oficiosas ou a entrar em jogos dúbios para "fazer carreira". Mas, hoje, fez-se luz.
Num anúncio publicado na imprensa tomei conhecimento das actividades para a "Semana do Advogado". Além das intermináveis palestras sobre o sexo dos anjos e as saias travadas (porém, severas) das estagiárias (esta última subentendi eu...) têm ainda direito a uma missa "de sufrágio pelos advogados". Isto pareceu-me bem, já que nunca é de mais pedir pela alma de quem todos os dias coloca esta no mercado.
Mas, o melhor de tudo será o programa de 4ª feira, 21 de Maio: jantar convívio na discoteca SPICY, onde os espera um video-wall "para projecção da final da Taça Uefa". E às 23 h vá de abanar o capacete.
Com uma formação tão estimulante não admira que tanta gente tente durante algum tempo seguir esta profissão. Pelo menos até lhes dar a necessidade de se tornarem úteis.
ACELERA A FUNDO
O presidente da Associação Portuguesa de Escolas de Condução foi apanhado a 224 km hora. Alegou que "se fosse na Alemanha isto não seria crime".
Tem razão. Crime seria no dia em que ele matasse outras pessoas com o seu bólide despistado, mas aí... Seria "azar".
Parece que vai ter que pagar 240 Euros de multa. Com este castigo exemplar não se vai esquecer tão cedo.

16 de maio de 2003

É TRISTE...
O rosário de Fátima Felgueiras pode estar longe de chegar ao fim. O seu advogado, homem que se vê logo ser um rapaz honesto, já declarou que "não há saco para a Justiça Portuguesa". Ora, corrijam-me se estiver enganado: se não há saco... Então não houve crime!
JÚLIO VOLTA QUE ESTÁS PERDOADO
Segundo o DN, "A missão idealizada por Júlio Verne no romance Viagem ao Centro da Terra poderá realizar-se graças ao projecto de um cientista norte-americano. O plano consiste em abrir uma fenda através de uma corrente de ferro fundido, permitindo a passagem até ao núcleo do planeta de uma sonda do tamanho de uma toranja. ". Se fosse uma laranja, já saberíamos por que carradas de água anda a câmara de Lisboa a esburacar a cidade toda!
REVOLUÇÃO EPIDÉMICA
A China já avisou: as pessoas contaminadas com a pneumonia atípica que se ponham de passeio, serão mortas. Já estou a ver um guarda chinês, daqueles que andaram a passear com tanques por cima de estudantes na praça de Tiananmen, a apontar a arma a um pneumónico moribundo e a dizer: "Se te atreves a morrer aqui, mato-te".
Deve fazer parte da tal diversidade cultural com certeza...
NÃO HÁ PACHORRA
Um dos visitantes chegou até esta página enquanto buscava a expressão "Não há pai". Coitado/a... Se foi um argumentista da lamentável coisa, deve ter ficado chateado/a ao descobrir que o google lhe dava 10 páginas unânimes a declararem que o programa era a maior merda alguma vez feita em Portugal. Eu, pelo menos, ficaria... Ah, espera... Mas eu sou dos que têm escrúpulos e vergonha na cara. Afinal, esqueçam: ninguém se chateou.
MUSAS
Numa tentativa de honesta camaradagem (sei que apreciam o termo) com os amigos da Coluna Infame, aqui lhes deixo o resultado da minha investigação sobre musas.



É exótica, descomplexada, fumadora negligente e prefere (nisso, não está sozinha...) um prato de mandioca a um discurso do Francisco Louçã (há quem prefira ser massacrado por zulus, como é o meu caso, mas já é um princípio de inteligência, a mandioca). E, nunca poderá ser identificada com a temida "esquerda-caviar"
DESTAQUE LITERÁRIO
"Nunca é de Mais é uma espécie de mosaico colorido. Romance feito de pinceladas de vida. Cujos tons fortes e variados dão textura e alma às personagens. Mulheres e homens dos nosso dias. Marcados também pelos espaços onde vivem."

É disto que trata o último livro da mulher de Freitas do Amaral. Marcado pelo espaço da Quinta da Marinha, suponho.
Não vou perder o meu tempo com elogios, a obra da autora está publicada para que se investigue. Só digo que o título (ainda estou em recuperação) é elucidativo e explica muita coisa. Nomeadamente o ar feliz do antigo candidato à presidência da república. Só é pena não ser em capa dura...

MICRO-ONDAS CEREBRAIS
Estava na cozinha, no meio da papelada que se passeia por todo lado, nomeadamente sobre o micro-ondas. "Proibido Pensar?", o opúsculo editado pela Fnac nestes tempos de poderosa estupidez. Esta "Ediçam commerativa do dia mundial de liberdade de imprensa" foi concebida pelos criativos da empresa e realizada por Rui Zink e Imma Turbau. O grafismo esteve a cargo de Fernando Mateus. A lembrar que intelectuais (no sentido menos pindericamente nacional do termo) espalhados pelo mundo continuam a ser presos pelas coisas que dizem, escrevem ou filmam.
DESTROSSE



É bom viver em Lisboa!

15 de maio de 2003

TÍTULOS
Passei a noite à procura de uma fórmula que contivesse o ardor do final do Verão, a nostalgia dos afectos impossíveis e o surpreendido olhar do amante perante o corpo desconhecido. Sou capaz de ter chegado lá perto. O meu livro de contos não vai morrer sem nome :-)
AINDA AS PRESIDENCIAIS
Considerando a hipótese do presidente da Kapital pensar em alargar o magistério ao resto do país, coloca-se uma questão fundamental: quem seria a primeira-dama? Sabendo-se que ela deveria ser escritora, poetisa ou pelo menos diseuse (é francês, putos!) quem seria a escolhida. Mário Soares teve a sua Maria de Jesus, o dramaturgo Freitas conta com esse prodígio da literatura que é Maria Roma (e que tem um novo livro, atenção!) e até Cavaco tem a sua Maria-diz-poemas-ao-Herman-Cavaco-Silva... Se formos pelo lado da beleza, penso logo na Llansol, mas esta está muito bem casada... A Maria T. Horta, também... Ná, não será fácil. Pelo sim, pelo não, sempre lhe vou mandar o número da Oficina ;-)
ABELHENHAS
Os Relativos indignam-se com a nova ideia do governo: acabar com a "obrigatoriedade de formação prévia e de obtenção de certificado de aptidão profissional para acesso à profissão de taxista". Eu admiro-me que isso possa ter alguma vez existido. Ou então só me calham os clandestinos... Agora, uma boa medida seria proibir que eles estivessem bêbados ou drogados enquanto conduzem... Pode ser coisa minha, mas faz-me impressão, o que é que querem...
30 ANOS
Na senda das comemorações televisivas, hoje é o dia dos 30 anos de carreira do Carlos Ribeiro. Sim, senhor, 30 anos a chagar-nos a cabeça com foleiradas de toda a espécie. É Obra! Um bolo de estrume para ele.



FOTO DE ARQUIVO: O apresentador abraça o José Eduardo Moniz (em início de carreira)
PESADELO EM CAMPO DE OURIQUE
Acordei estarrecido. Tinha sonhado que Santana Lopes era presidente da república. Como diria a minha avó, "as coisas que uma pessoa vai buscar". Ah! Ah! Já só me faltava ter um pesadelo em que ele seria Secretário de Estado da Cultura! Da Cultura!! Livra!
Esta minha imaginação anda mesmo à toa...!
DIÁRIO
Deparei com uma nova edição do "Diário" (1958) do Sebastião da Gama. De memória cito que ele "não pretendia que os alunos soubessem coisas de cor". Queria que compreendessem, que relacionassem. E, mais à frente, "que sejam felizes". Numa penada, há mais de 45 anos, compreendeu o que queriam dizer as teorias cognitivistas e humanistas. A escola serve primeiro para perceber o mundo, os outros e nós próprios. E só depois ensina a fazer cinzeiros. Haja alguém que meta estas ideias com uma marreta na cabeça do ministro da educação...

14 de maio de 2003

MAR SALGADO
Só pela inclusão do meu soneto favorito de camões, mereceriam entrar pela porta dos links. Mas existem mais razões.
Aqui lhes "pico", vergonhosamente o post ;-)

"O céu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O nocturno silêncio repousado...


O pescador Aónio, que, deitado
onde co vento a água se meneia,
chorando, o nome amado em vão nomeia,
que não pode ser mais que nomeado:


Ondas (dezia), antes que Amor me mate,
torna-me a minha Ninfa, que tão cedo
me fizestes à morte estar sujeita.


Ninguém lhe fala; o mar de longe bate;
move-se brandamente o arvoredo;
leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita"


LITERATURA ON-LINE
Gosto do aspecto da revista "Storm". On-line sem que se sinta a falta do papel. Keep up the good work.
engOrdar
Os animais portugueses estão a ficar macdonaldados, isto é, gordos. Diz no Clix: " Um dos problemas que se tem vindo a notar é a obesidade dos animais citadinos que já levou ao lançamento de muitas rações light para cães e gatos. Este aumento de peso dos animais encontra-se associado a um sedentarismo "forçado". Os animais encontram-se presos o dia inteiro em casa saindo somente ao fim do dia". Eu, embora não tenha mais do que ácaros em casa, confirmo esta notícia. Ainda no outro dia, no eléctrico se sentou uma vaca gorda ao meu lado que me esborrachou contra a centenária janela. E vi um camelo, no meu banco, gordíssimo a empatar toda a gente que estava na fila.
Quanto às rações light não sei se será uma boa ideia, já que a última festa fashion a que fui estava cheia de cadelas afegãs louras e escanzeladíssimas, fazendo-me interrogar seriamente sobre a expressão "beleza no feminino".
Ah, que saudades dos meus tempos de liceu em que gatos e cães magríssimos se passeavam pelos terrenos da escola e a quem dávamos os saudáveis nomes de "Bebe-Água" ou "Passafome"...

INDIGNAÇÃO
Segundo o Público de hoje, um artista bracarense terá criado uma figura de cerâmica (ou 3, não vi) para promover o turismo da Região.

"As três figuras representadas - um padre, uma prostituta e um homossexual numa pose sugestiva - levaram a que, na homilia do passado domingo, durante o Dia Diocesano da Família, D. Jorge Ortiga tenha criticado severamente a atitude da Região de Turismo. "Esses símbolos são lesivos da dignidade dos bracarenses e das bracarenses e é desprestigiante que instituições estatais se sirvam desses símbolos para anunciar as nossas potencialidades e atrair turismo", de acordo com o texto publicado no mesmo jornal. D. Ortiga terá ainda acrescentado que teria sido muito melhor fazer bonequinhos com um padre e uma criancinha nua. Numa alusão, supomos, ao nascimento do menino Jesus.
FLIP
Chocado com a discordância que os gatos fedorentos manifestam contra o seu estilo ortográfico, P.Pereira, apresentou a sua defesa: "Naõ ademito que me veinham dizere cômo se xcreve portugês. Na verdade, sou apenas um ademirador da idéia (insistêntemente reptida) de Agostinho Batista que devêmos cultivar um portugês há solta".
A Academia de Ciências e a Sociedade de Língua Portuguesa estão igualmente a considerar a hipótese de alterar a actual ortografia. Se tudo correr bem, no próximo Natal já poderemos escrever as cartas ao Pai Natal com três acentos em cada advérbio de modo.

13 de maio de 2003

SAUDAÇÕES
Ao Nelson de Matos que nos chega com notas de Contracapa. É interessante verificar que pessoas com responsabilidades nas mais diversas áreas, nomeadamente a cultural, se estão a aproximar das pessoas; a intervir com as suas ideias e experiências. Os meus votos de bons posts... e descontracção na propaganda aos autores da casa ;-)
SABE TÃO BEM DE MANHÃ
Portugal tem um problema de horários. O facto da maioria das pessoas sair de casa cedo impede-a de ver o melhor que dá na televisão portuguesa. Hoje, por exemplo, foi o aniversário da Fátima Lopes (minha companheira de ginásio e, desde já acrescento, que aquela figurinha elegante lhe sai do pêlo...). Entre tantos e tão interessantes convidados estavam o Toy, o Quim Barreiros e o Marco Paulo. Este último cantou-lhe uma canção que tinha como refrão, "Te amo, Te amo". Ela aguentou-se bem, com ele a furar-lhe os tímpanos em playback. Sempre sorridente, parecia afilhada dele. Parabéns, Fátima.
AINDA O 13
Em directo por meio de dois canais generalistas, um padre de óculos (talvez Bispo... embora o perfil fosse mais de... Torre), agradecia a presença da comunicação social. "À Radio Renascença, ao canal "Canção Nova"... E por aí fora. O melhor foi o obriado à rádio "A.V.C.". Percebe-se, com a média de idades da gigantesca troupe, nunca é de mais prevenir as tromboses...


13 DE MAIO
Hoje vou dar aulas de joelhos. Avé, Avé...

12 de maio de 2003

HOME SWEET HOME, WORK WAITING
Regressado a casa, vindo da LILYA-4-EVER e tendo comprovado que o amigo Lukas Moodison é um excelente realizador e, tendo aindo verificado que o Eurico de Barros se engana ao usar a expressão "desilude", tendo razão ao falar na dispensabilidade das asas, penso na Coffee shop, onde entrei. Mesmo ao lado do Cine222 existe aquilo que mais se aproxima do Paraíso dos Betos. Umas criaturas inenarráveis de panamá (de palha) na cabeça servem capilés a jovens betos. Há muito tempo que não via tanta gente sem interesse nem futuro junta. Como diria um amigo meu referindo-se a um casal formado por duas pessoas sem interesse: que 3 coisas mais sem graça, ele, ela e o casal.
SAUDAÇÕES
Os gatos fedorentos continuam a ser o meu momento zen. E o RAP, o único tipo que me fez rir a sério desde... Olhem, nem me lembro. Mas há muito tempo.A lembrar-nos que o humor é a mais difícil da artes.
SIM SENHOR (DIGO, RESPIRANDO FUNDO)
Bem, passa da 1 da tarde... Já li os blogues que me interessam, já fiz vários telefonemas (vãos) a pedir os dinheiros que me deviam ter sido pagos há uns poucos de meses... Prontoz: já fiz tudo... Era para ir escrever; empurrar mais longe os altos baluartes da literatura... Mas,não. Vou ao ginásio e, de caminho, vou ver as putas a discutirem umas com as outras debaixo das folhas exuberantes dos plátanos.
APARECEU BRILHANDO...
Tem sido bonito ver imagens dos peregrinos a arrastarem-se pelas estradas portuguesas. Andam centenas de quilómetros a pé, volta e meia quinam na frente de um camião espanhol carregado com melocotones, para irem até ao santuário. Vão arejar as dores. Ainda bem para eles. E para a nossa santa madre igreja que no ano passado, só com o santuário de Fátima, arrecadou (vou buscar a notícia do Expresso... Só um bocadinho... Pronto, já cá estou) 8 (oito) milhões de euros, ou seja, 1,6 milhões de contos (disse milhões, disse!). Limpos de impostos, julgo (corrijam-me se estiver errado).



Outros santuários, como Braga ou Lamego, recusam-se (alguém se lembra do discurso dos clubes de futebol há muito pouco tempo, ou sou só eu?) a revelar o dinheiro que entra.
Acho que vou oferecer à Senhora dos Prazeres o meu pé em cera para ver se me aparece um negócio destes...
O PRINCÍPIO E O FIM
Quando chegar o meu fim, gostaria de ir enrolado em bola: a cabeça a tocar os pés. A velhice colada à infância. Assim, saberia que as coisas acabam onde começam.
VRRRRUMMM
Não fui informado... Mas houve, de certeza,. concentração motard no Algarve. Fui ultrapassado por centenas de motas, todas a mais de 160 e outras em velocidades cuja medida de medição se poderá encontrar nos livros do Robery Heilein. A próxima vez que eles aparecerem no telejornal, de fatinho de couro, capacete na mão e ar compungido a lamentar a morte de um colega "por causa dos separadores assassinos da estrada", vou-me lembrar deste som: VVVVVVVVUUUUUUUUUUUUUMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM!!!!!!!!!!!!
VERBO ZAPPAR
Pode não ser um sucesso de audiências (a concorrência é feroz), mas a Operação Triunfo continua a ser a melhor coisa que a RTP encomendou, em termos de entretenimento, dos últimos anos. Nesta estação que escolheu para si o exacto modelo (apresentadores incluídos) que tinha nos 80 (Luis Andrade oblige) está, mesmo assim, de parabéns.(ps: esperemos apenas que ele - L. A. não se lembre de ressuscitar o número em que Rita Ribeiro se espojava seminua com umas correntes e que ganhou um prémiozito em Montreux...).
A concorrência apostou forte nos dentes da Teresa Cavalo de Ferro. Mas, a peregrina ideia de testar a inteligência dos carecas contra a das loiras... Não deve excitar lá muito o audímetro. Digo eu, que não percebo nada.
O melhor estava na RTP2, com "Aeros". As impressionantes coreografias de Daniel Ezralow, David Parson e Moses Pendelton a surpreenderem.

11 de maio de 2003

A SUL
Está sol e é domingo e eu rumo a sul, sempre a sul. Em S.Torpes há-de estar uma praia com as ondas a bater nervosas. E, com sorte, regresso a casa sem muita nafta nos pés. Ou cá dentro. As duas custarão a limpar.

10 de maio de 2003

A OUTRA MARGEM DO RIO FNAC
Num gesto insensato e temendo que me acontecesse com a prole o que aconteceu com o filho da Clara Ferreira Alves, fui até ao Almada Fórum. A experiência foi agradável: tinha Fnac, tinha uma gelataria fabulosa na essência embora péssima no atendimento e até a estátua de uma sereia pudica que não destoaria na frente de um museu em Bilbao.
O pior foi sair de lá. Como acontece em todos os subúrbios, os moradores acham que só vale a pena indicar a terra para onde vão. Logo, além de "Almada" e "Feijó" (para onde não queria ir) encontrei um "outros destinos" que se sumiu rapidamente.
Foi interessante como experiência tentar encontrar a estrada para Lisboa. Mas, se quiserem tentar esta aventura, aconselho vivamente a que levem um cão e um batedor índio.



ABRUPTAMENTE NO BLOG PASSADO
Graças ao Pacheco Pereira, O DN entrou na blogoesfera. Os meus parabéns ao recém-chegado! Chamo só a atenção para o facto de me ter linkado (BOINK!!! Fez o vetusto casal do Acontece, ao ver a palavra, sendo que o mais velhinho ainda acrescentou enquanto exalava o último suspiro: "... Como disse?") erradamente. Onde se prova que se o tamanho não conta, a diferença entre um hífen e um underscore é importante ;)
JORNALISTAS: JÁ PRO PALCO!
Eu, que não acredito em coisas a preto e branco, já o desconfiava. Mas, o Miguel Sousa Tavares explica no Público, a situação das novas gerações de jornalistas. Ele sabe.
O FOGUETE
Sempre com os olhos no futuro,o Governo anunciou a intenção de criar uma agência espacial portuguesa.
Segundo os responsáveis da ideia, isto não só colocará Portugal mais à frente, como poderá ser uma fonte de emprego para mão-de-obra especializada. Testes secretos para o primeiro foguete terão já sido efectuados em fábricas de pirotecnia do Minho. Trata-se de uma catapulta onde se senta o astronauta e que uma vez accionada, não só o atira ao ar, como puxa fogo ao molho de busca-pés e foguetes de lágrimas que ele leva presos ao corpo.
O facto de não ter havido sobreviventes das experiências, até ao momento, não impediu camponeses residentes na zona de afirmarem "ter sido um fogo lindo". Uma velhota de 80 anos chegou mesmo a afirmar ter sido melhor "do que nos festejos da Sra. das Dores".

9 de maio de 2003

PEQUENOS PRAZERES
Estou a ler o "Nove Noites" do brasileiro Bernardo Carvalho.
Ainda bem para mim :-)


"Avançava por rochedos e florestas de abetos, horas a fio a desbravar regiões desérticas em sua fantasia de pioneiro solitário, a embrenhar-se na natureza até não restar outra fronteira para sua liberdade além dos limites do próprio corpo, até nada além do corpo impedir a fusão com a paisagem em que já se dissolvera em espírito. Eram territórios que trilhava sozinho no verão ártico, infestado de mosquitos, e cujos mapas eram uma indissociável combinação da sua experiência e da sua imaginação. Assim como o que tento lhe reproduzir agora, e você terá que perdoar a precariedade das imagens de um humilde sertanejo que não conhecendo o mundo e nunca viu a neve e já não pode dissociar a sua própria imaginação do que ouviu."
ESPANTO AUTÁRQUICO
Eu devo dizer, desde já, que estou totalmente solidário com a indignação dos (começam a ser) muitos autarcas que nos últimos tempos têm sido incomodados pela Justiça. Sacos Azuis, financiamentos de partidos, construção de casas próprias com dinheiros públicos e por aí fora, dão azo a achincalhamentos nos jornais e até talvez, um dia, nos tribunais.
Ora, seria bem mais fácil se os senhores jornalistas e os juditeários membros tomassem consciência que estas pessoas não sabiam estar a cometer um ilícito. Aliás, qualquer presidente de câmara ou vereador das obras públicas lhes dirá que as alcavalas vinham com o cargo. Uma espécie de arredondamento.
Haja um pouco mais de compreensão, por favor!
25 DO 4
Hoje, a caminho do Alentejo, sintonizei por acaso o RÁDIO CLUB PORTUGUÊS, onde uma simpática locutora saudava todo o auditório. De caminho tinha passado no banco Espírito Santo e lido nas páginas de economia de um jornal as últimas aventuras da família Champalimaud...
Depois, não sei se foi impressão minha... Mas pareceu-me ouvir alguém gritar: "Angola é Nossa!".

8 de maio de 2003

WHERE'S FATIMA

Com a ajuda do João Guerreiro julgo que tenho uma pista sobre o paradeiro da sebastiânica autarca ;-)

7 de maio de 2003

EXCITAÇÕES
O último frisson da blogosfera é saber se o Abrupto (não adianta carregar que não me apetece ir à procura do endereço) é ou não um blog mantido pelo Pacheco Pereira. Fui até lá e deslumbrei-me com a prosa. Provavelmente será, dado que adormeci de tédio ao fim da leitura de 3 posts e um soneto do Sá de Miranda...
Entusiasmado com o género de coisas que está a apaixonar uma certa ala da mundo blog, sugiro outros desafios fascinantes:
1) Que livros lerá Cavaco Silva e lhe provocam uma gargalhada e uma exclamação de contentamento em direcção à poeta Maria?
2) Que fato levará Santana Lopes quando o motorista da cãmara o levar à discoteca, esta noite?
3) Usa ou não Sua Santidade (pausa para beijar o écran, à laia de anel) cuecas Nuno Gama

Penso que com isto já teremos tema de discussão para muito tempo...
É CULTURA...
Regresso do teatro S. Luis mais consolado. De ouvir falar em livros de forma simples e competente; de ver o bom humor a surgir sem medo e sem necessidade de achincalhar... demasiado... (pigarreio)... na dose certa, enfim. :-)
Apaziguou-me o descoroçoamento geracional, o que é que hei-de acrescentar mais?
ANIVERSÁRIO!!!
Hoje faz anos uma menina com asas :-)
FLASH
Hoje aprendi a virar virtualmente as páginas de um livro, o que fazem monstros de estranhos apetites e que existem outras formas de televisão. Só para internautas de banda e ideias largas
BLOGGING AROUND
Se tivesse que dar prémios aos bloggistas de serviço, esta manhã daria a 3: ao Zé Mário, ao Ricardo de Araújo Pereira e ao Pedro Mexia. A este último a título de incentivo, para ver se volta depressa. :-)
Só por isso, tomem lá uma prenda.
NÃO HÁ CONDIÇÕES 2
O beatífico advogado Proença de Carvalho parece que vai desistir de pedir dinheiro a Bibi. Ao que consta, o Estado (isto é, a gente) é um alvo mais apetecível. Entre bater num cão sarnoso e ordenhar uma vaca estúpida e gorda, o nosso Torquemada de bom coração prefere a segunda. Sorridente, poderá ter dito que as vítimas precisam mesmo é de uma férias em Varadero para esquecer. E, como elas não estão habituadas a esses luxos, de bom grado as acompanhará... O que não faz o amor à justiça!
NÃO HÁ CONDIÇÕES
Segundo os jornais de hoje, Hugo Marçal ter-se-á queixado das condições da cela em que foi detido preventivamente. Algumas fontes mal informadas relatam mesmo que terá dito: "Nuca meteria um cliente meu num quarto assim". E acrescentando que "aquilo nem para um puto da casa pia serviria".
Responsáveis da Judite já adiantaram que estão a fazer todos os esfoços para o meterem num hotel muito frequentado da zona de Caxias.
ETERNO RETORNO
Hoje, vi em volta de mesas de café-livraria onze escritores de textos dramáticos. Onze dos mais representados, publicado etcetritados. E iniciou-se a conversa com o facto de os encenadores, nomeadamente os do Teatro Nacional (com responsabilidades acrescidas) ignorarem o trabalho destes e de muitos outros (alguém adiantou o número 200, para a totalidade de pessoas vivas que escrevem para teatro). Claro que quando se falou em tornar "visível" o trabalho dos nossos autores, algumas pessoas se arrepiaram, por temerem que isto seja confundido com alguma facilidade. Quando será que vamos parar de nos considerarmos uns merdas mundiais e nos limitamos a trabalhar, o melhor que pudermos, com o que temos?

6 de maio de 2003

NÃ FUNHEU!
Tenho um sobrinho pequeno, espécie de micro-demolition man, que depois de destruír metade da casa tem uma declaração de inocência: "Nãfunheu! (não fui eu).
Por que é que cada vez que, nos últimos tempos, abro os jornais e vejo os programas noticiosos me lembro dele?
Ah, deve ser pelo facto de termos a tradição de viver num país sem justiça em que basta ter dinheiro ou influência e negar do princípio ao fim do processo as acusações para se safar. Lembram-se dos "arrependidos" das FPs que acabaram por ser os únicos a levar com uma pena no lombo, enquanto os outros saíram a rir à grande?
DOIS
Parece mentira mas acabei de ler dois livros (A menina que manda bocas aos domingos no Notícias Magazine vai ficar feliz: fiz a coisinha certa. Quadro de Honra, já!). Os dois são primeiros livros. Um, do Brady Udall, A VIDA VIDA MILAGROSA DE EDGAR MINT (ed. Difel, trad. Tomás Vaz da Silva). Um livro sobre como sobreviver a um crânio sucessivamente esmagado por uma carrinha ao longo dos anos. Ou Dickens revisitado.
O segundo foi o do Daniel J. Skramesto (que nunca conseguirá que lhe escrevam este apelido em correcto norueguês, já o vou avisando), OLHOS DE CÃO. Já o tinha lido, em provas, mas agora reli algumas partes devidamente impressas, com atenção. Posso estar enganado, mas, se não se deixar contagiar pelo barroquismo dos nossos ares literários, o Daniel veio para ficar.


É TARDE, É TARDE
Na televisão uma representante das Mães de Bragança declara o marido insano e a prostituta persona non grata ("quando tu estiveres num avião para o Brasil...", ameaça). Na Sic, fujo antes que o Fernando Rocha aterre no meio dos alhos... Subo as escadas e descubro sobre o autoclismo o livro oferecido de uma light a armar ao pingarelho, e penso que não há nada pior que uma prostituta (outra vez as peripatéticas... Devo estar a ser atacado pelo síndrome transmontano...) armada em púdica: Nem goza da benção do bispo nem do dinheirinho dos carentes. Ao lado do computador uma velha edição londrina da poesia de Byron, que já não vou ler.
A esta hora o mundo deixa de interessar...
ps: E, num movimento brusco ia sendo esmagado pelo volume G-Z do dicionário da Academia mancomunado com a gorda Rosa do Mundo. Os dois em ataque suicida sobre a minha cabeça. É mesmo tarde! (esta exclamação foi uma homenagem à V. Foguette).

5 de maio de 2003

SAUDADE - 1993




Hamish MacDonald
LIVRO SENTADINHO NA BEIRA DE UM CAIS
Esta madrugada dei os últimos retoques no livro de contos que sairá no próximo mês. Olhei para todas as histórias, excitadas por irem à aventura, ajeitei-lhes as roupas novas (que uma ou duas tinham em desalinho) e disse-lhes que seguissem o mais velho. O NYLON DA MINHA ALDEIA olhou para trás, para as outras narrativas e acenou-lhes num gesto tranquilizador. Não admira, já cá anda desde 1997.
Depois meti-os todos no email e desejei-lhes boa sorte. E lá foram todos, felizes em busca da sua casa. Vou ter saudades deles.
POLITICS
Tinha um post para fazer sobre as nomeações para a administração da Tóbis de parentes alaranjados... Um que vinha da Tap (esse grande exemplo de produtividade e boa gestão) e outro que escorregava de outro tacho qualquer... Até já tinha pensado em fazer um comentário sarcástico sobre a forma firme como o actual governo não pactuava com os jobs for the boys... Mas, como não sei onde meti o jornal com os detalhes, não vou poder falar nisso. Chatice!
HAIR STYLE
Sou um tipo com sorte. Por isso, raramente recebo hate-mail (ok, ok, isto NÃO É um pedido!). É mais cartas a considerar as minhas opiniões ao nível de um cão velho entre flores... Que me lembre, só um marado, assinando-se por Cabeleireiro Louco me fez uma desfeita com mais energia. Entre outras coisas, embirrava com o meu cabelo e as tristes ideias estéticas que ia tendo . O pior é que tinha razão, reconheço agora... Isto para dizer que desconfio que sei quem é e onde trabalha. Agradecia que vissem o colchão apalhaçado que a (boa) Cristina Molder traz na cabeça, a fazer de cabelo, e me dissessem se aquilo pode ser obra de alguém no seu juízo normal? Prepara-te malandro para a queda da máscara!
A ARTE DE BEM BLOGAR TODA A SELA
Quando (muitas vezes) me perguntam o que é um blog, respondo com a clássica frase, "é um diário digital". Mas, que raio de diário é este que se pode apagar quando vemos que era asneira o que escrevemos e que toda a gente pode ler? Uma confidência de tipo diarreico entre mãe e filha, é o que é!